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O MTB Brasileiro tem um legado pós era Henrique Avancini?

O MTB Brasileiro tem um legado pós era Henrique Avancini?

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A opinião do site Bike Tribe, considerando o atual cenário, os resultados dos atletas mais jovens, e a performance dos mountain bikers brasileiros (exceto Avancini) é NÃO!

Nossa opinião é que, passada a era Avancini (e isto ainda está longe de acabar), não teremos um legado! Não teremos um outro ciclista em condições de levar o Brasil para os lugares mais altos do esporte mundial.

Agora vamos explicar por que achamos isto!

#1 – O gap entre Avancini e os demais é muito grande, e não deveria ser

Basta você assistir os replays das últimas competições realizadas no Brasil, o Desafio dos Gigantes, e vai ver que a performance de Avancini é tão superior, que há momentos em que parece que ele está passeando na pista (obs. Ou então veja o resultado de todos eles nas 4 etapas de Nóve Mesto!)

Replay da prova de Criterium no Desafio dos Gigantes

Não há nenhum atleta em condições de incomodar Avancini dentro de uma prova. Até o final de 2019, Cocuzzi e Guilherme Muller disputaram com Avancini na pontuação do ranking (Avancini ficou em 2º mesmo sem ter disputado a grande maioria das provas válidas). No entanto, nas pistas, a diferença já era absurda. Em 2020 chega a ser desigual.

É inegável que há um trabalho sendo feito! Competições, cobertura da mídia especializada, patrocínios das marcas… Mas está sendo bem feito? Não está! Já tivemos tempo suficiente desde que esta onda começou, para colocar mais atletas em condições de competir com os melhores do mundo.

Ja passou da hora de construir “mais atletas” e menos vídeos de Youtube e Instagram.

#2 – A velha guarda do MTB ainda domina! A renovação é insuficiente…

Outro fator que nos faz afirmar isto é a presença da “velha guarda” do MTB brasileiro entre os TOP20 do ranking Elite. Ainda aparecem nomes como Rubens Donizete (5º), Pschidt (11°), Kaufmann (12º). Estes atletas são monstros, mas pela idade, a lista dos melhores 20 ciclistas deveria estar super renovada. Além deles, aparecem outros nomes que já perderam o “time” de um dia se tornarem grandes nomes internacionais. Veja o ranking aqui.

#3 – Os investimentos em atletas ainda não são genuínos

Apesar de boas iniciativas de algumas marcas, a maioria só visa benefícios comerciais.

Não preciso citar as marcas, pois você que acompanha o MTB nacional sabe quais são as marcas e equipes que fazem um trabalho genuíno de construção do futuro do esporte, e quais estão preocupadas somente com a visibilidade no YouTube e Instagram (visando só o lucro).

Entre os TOP20 há 5 atletas que declaram “Avulso” na informação da Equipe. Isto significa que eles chegaram ao TOP20 nacional sem apoios de nenhuma marca.

Sem patrocínios, sem dinheiro sendo investido nas suas carreiras, eles jamais terão condições de um dia participar de uma prova internacional. Há vários outros que declaram fazer parte de “Equipes” de grandes marcas de bicicletas, por exemplo, no entanto, eu sei e muitos de vocês sabem que este apoio se restringe à uma ou duas bikes emprestadas para serem usadas na temporada, e inscrições para algumas provas. Pouquíssimos recebem salários, ajuda de custo, viagens, custeio para nutricionistas, fisioterapeutas, etc.

Isto nos faz entender que o tal “patrocínio/apoio” não passa de puro marketing e não levará estes atletas ao nível que eles poderiam ocupar se estivessem sendo patrocinados de verdade.

Além disso, muitos destes atletas só recebem este “mequetrefe” apoio depois que vencem um campeonato expressivo, ou fazem um boa temporada já nas categorias Junior e Elite. Isto não é suficiente em se tratando de alta performance nacional.

Pessoal, não se enganem! Pagar uma viagem para o atleta ir competir uma etapa da copa do mundo em Nóve Mesto sem ter investido bem nos anos anteriores não dá resultado. Só dá publicidade no Instagram! Algumas marcas inclusive, se fosse permitido, levariam os Youtuber das bike para correr a Copa do Mundo, ao invés dos atletas federados kkkkk.

#4 – A nossa base ainda engatinha, em passos lentos

Um atleta que almeja se destacar na Elite mundial precisa chegar nas categorias Junior voando, andando no nível dos grandes elites. Você não concorda? Então procure se informar sobre a carreira dos grandes nomes. Eles chegaram na Elite sendo campeões mundiais Sub19, Sub23, vencendo competições de expressão mundial ou sendo campeões nacionais em países onde a concorrência é brutal (muito maior que no Brasil).

Vejam as performances de Simon Andreassen, Alan Hatherly e Milan Vader que chegaram na Elite em 2020 trazendo consigo vários títulos nacionais europeus e mundiais. Aqueles que serão os grandes campeões da era pós Nino e Avancini são os que chegarão forte na elite tendo sido multi campeões nas categorias anteriores (sub19, sub23).

Não se constrói um super atleta de MTB na Elite! Entende?

Eu torço demais para nosso melhor sub23 da atualidade, Gustavo Xavier, que fechou Nóve Mesto em 29º na prova 1 e também na prova 2, e . No feminino não tivemos ninguém na sub23, portanto não esperem um milagre nos próximos anos na Elite.

Como eu já disse acima, as atuais representantes brasileiras na Elite Feminina já perderam o time, e vão continuar por ali, brigando por um top20, talvez top30.

Talvez a única atleta, que hoje, nos dá esperanças de vermos uma “brasileirinha” no top, seja a Giuliana Morguen, Giu Giu. Mas o trabalho com ela precisa acelerar, pois ela brevemente entrará nas categorias mais difíceis, e sua participação na Áustria se limitou a um 26º no mundial. Claro, é um excelente resultado… mas ainda não qualifica para estar entre as tops mundiais. Eu torço demais para ela chegue muito longe.

#5 – As coisas estão mudando lentamente demais, deixando o bom momento passar

Deveríamos estar aproveitando muito mais a onda Henrique Avancini.

As marcas estão vendendo bicicletas como nunca, há competições (grande maioria de baixíssimo nível) acontecendo nos quatro cantos do Brasil, as mídias especializadas no ciclismo crescendo muito (inclusive ganhando modestos espaços nos grandes meios de comunicação), no entanto o desenvolvimento do esporte como esporte competitivo é muito lento.

O Canal Bike é Legal (e realmente é muito legal) produziu um vídeo, que na visão do Bike Tribe é um “desfavor” para a evolução do nosso esporte como esporte de performance.

Neste vídeo eles induzem as pessoas à acreditar que o formato das pistas de XCO (onde a maioria dos seguidores nunca colocou a roda das suas bicicletas) estão ficando muito perigosas. Isto é verdade, claro! Mas não podemos nos esquecer que as pistas de XCO são ambientes para atletas que vivem a alta performance… São ambientes diferentes dos estradões ou parques.

O “chororô” impede nosso crescimento! Os futuros campeões estão, dedicando-se a andar cada vez melhor nestas pistas.

Num determinado momento do vídeo, ela traz uma questão: -“temos que nos perguntar se o esporte não vai cada vez mais ficar longe do alcance da grande massa das pessoas que pode estar curtindo o mountain bike só por prazer”.

Pessoal, a grande massa não vai para as pistas de XCO! Já não iam quando eram mais fáceis e não vão agora que estão ficando mais difíceis.

Imagino quantas jovens promessas serão “podadas” por seus pais depois que eles assistirem um vídeo como este!

Vemos muitos vídeos no Youtube onde crianças Norte Americanas e Europeias andam em pistas cheias de pump tracks, drops e rampas… Mas por aqui, algumas mídias querem influenciar a opinião, de que precisamos “facilitar” as pistas de XCO para a “grande massa”.

O vídeo é este:

Mas por que eu citei isto? Para mostra como não temos ainda, uma cultura esportiva competitiva formada para o MTB XCO. E sem uma cultura como esta, não chegaremos muito mais longe do que já chegamos.

#6 – Mas calma, todo sonho é possível

Nos emocionamos com as declarações de Avancini nos últimos dias, onde ele fala sobre sua jornada para chegar a ser um campeão de etapa de Copa do Mundo de XCC e XCO.

Isto serve para nos mostrar que tudo é possível, com muito trabalho, esforço, dedicação e ações assertivas.

Mas um país que deseja estar entre as grandes potências do ciclismo não pode continuar contanto com “heróis” esporádicos! É preciso fazer as coisas de forma consistente…

E para finalizar, vejam o bom resultado conquistado por Alex Junior Malacarne no Mundial de XCO, hoje, 08/10/2020, na categoria Júnior. Há esperança!!!

Ops, E não deixem de observar a quantidade de jovens suíços e franceses nesta lista kkkkk (coincidentemente os 2 países que produziram os maiores nomes do MTB mundial). Veja as estatísticas aqui.

Brasil é top20 na Júnior, do Mundial de MTB XCO na Áustria

Guilherme Guimarães Guedes Editor e produtor de conteúdos para o site BikeTribe.com.br. Atleta amador de Mountain Bike. Participo de competições por todo o Brasil. Administrador da Equipe Bike Tribe Team. Treinador: Prof. Daniel Adário da Adário Consultoria Esportiva
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